Arquivos para a Categoria ‘Público’

O Público agradece

Se compararmos as primeiras páginas de hoje do Público e do DN, há uma dúvida que se dissipa: o DN abandonou, em definitivo, o campeonato dos jornais de referência, onde as notícias de cultura têm um peso assinalável.

O Público rasga, e bem, a primeira página com uma belíssima foto de Rostropovich, falecido ontem, aos 80 anos. Era considerado o maior violoncelista da segunda metade do século XX e distinguiu-se pelo combate aos duros regimes soviéticos, ao lado de Soljenitsine ou Sakharov.

Para o DN, nada disto contou. Não se encontra uma única ou ínfima referência à morte de Rostropovich na primeira. Mas temos, em grande destaque, uma foto do voo sem gravidade de Stephen Hawking para compensar… A “popularização” do DN está em curso, portanto.

O Público, naturalmente, agradece.

Lebres e tartarugas no ciberjornalismo

Morreu hoje um dos maiores violoncelistas de sempre, Mstislav Rostropovich. São 11.30. Como estamos em termos de capacidade de resposta nas edições online dos principais diários portugueses?

O Público.pt já deu uma “última” com dois parágrafos. O Correio da Manhã, vá lá, deu quatro. Para o DN e o JN não se passa absolutamente nada (até a Wikipédia já deu a “notícia”…).

Espreitemos agora o que dá o ELPAIS.com: notícia com foto destacada no topo da página; um dossiê com “tudo sobre Rostropovich“; possibilidade de se ouvir trechos de música; fotogaleria.

Estamos mal.

Galerias fotográficas do cidadão no Público.pt

O Público.pt arrancou hoje com uma iniciativa muito interessante, orientada para a exploração do multimédia e o envolvimento dos leitores.

O jornal convida-os a enviarem, até 13 de Maio, uma galeria fotográfica, com ou sem áudio, subordinada ao tema “Ensino”. O melhor trabalho, escolhido pelos jornalistas da casa, será publicado no Público.pt. Os pormenores pode ser lidos aqui.

Note-se que as galerias fotográficas, ou slideshows, têm vindo a conquistar terreno nos melhores ciberjornais. Softwares simples de usar, como o Soundslides, vieram dar um empurrão precioso à tendência. Temos visto trabalhos espantosos, nomeadamente slideshows com áudio, ao serviço da narrativa ciberjornalística.

Mais uma iniciativa acertadíssima do Público.pt, portanto.

Um novo "P", de Público

Já tive oportunidade de folhear, em papel, o “número zero” do “novo” Público, que sai para as bancas na próxima segunda-feira. Primeiras, e breves, impressões:
Boa primeira página. Logótipo atraente, um grande e vermelho “P” de Público. Acertada a decisão de pôr mais texto na capa. É claro que a cor faz toda a diferença no resto. A fotografia ganha espaço, e muito, e bem. Paginação leve, agradável. Aqui e ali, faz lembrar a do… DN. Boa divisão temática no caderno principal. Mas o Editorial vai continuar a ser, erradamente, assinado e confundido com uma coluna de opinião.

O P2, o novo suplemento, parece responder a uma necessidade imperiosa: a da diversificação de assuntos, área em que os jornais continuam a ser, em geral, muito rígidos. Espera-se que o diário reforce aqui o noticiário de cultura, área em que tem vindo a perder gás.

As minhas primeiras impressões sobre a forma do novo Público são, portanto, positivas, ao contrário do que aconteceu na última grande remodelação, perfeitamente desastrosa. Agora, venha daí melhor conteúdo, pois os tempos não estão fáceis para a imprensa, esse negócio “velhinho” de quatro séculos.

(A versão em pdf do novo Público pode ser vista aqui)

Publico.pt recua e refresca

O Publico.pt fez bem em tornar de novo gratuito o acesso à reprodução da edição de papel (com excepção de crónicas, artigos de opinião, editoriais, etc.).

Uma das referências do Publico.pt, o ELPAIS.es, havia dado este passo há cerca de um ano. É que, por exemplo, o número de páginas visitadas e a visibilidade nos motores de busca e até nos blogues tende a diminuir, nalguns casos drasticamente, sempre que os ciberjornais optam pela cobrança total. Nem sempre é boa jogada.

As restantes mudanças hoje estreadas, sem serem radicais ou espectaculares, melhoram o jornal. Os assinantes, por exemplo, passam a ter acesso, entre outros serviços, ao Público Digital, que permite visualizar, através do clique sobre uma interface gráfica, as páginas tal como elas se apresentam no papel (A Bola online, por exemplo, já estava a usar este sistema). O tratamento gráfico dos artigos, no entanto, continua a não ser o melhor para um espaço como a Web.

Este refrescamento tem um valor acrescentado por acontecer num momento sobremaneira difícil na vida interna do Público, nomeadamente ao nível financeiro.

E, a partir de agora, já podemos, de novo e felizmente, remeter para os artigos da página de media do Publico.pt:

Público reabre acesso gratuito à edição impressa na Internet

Público em crise

O Público, segundo o DN de hoje, está «num processo de reestruturação profunda que envolve mudanças gráficas, de conteúdos – com a fusão dos suplementos Y e Mil Folhas – e na redacção.»

Ainda segundo o diário da Global Notícias, José Manuel Fernandes escreveu uma carta a todos os colaboradores do jornal em que diz que o Público «atravessa um momento crítico» porque perdeu circulação e publicidade.

O Público «perdeu 4391 leitores no primeiro trimestre do ano relativamente ao período homólogo de 2005, com as vendas do jornal a situar-se nos 44 783 exemplares e os prejuízos nos 2,2 milhões de euros.»

O panorama daquele que é, apesar de tudo, o melhor diário português não é nada brilhante. E isso tem-se reflectido sobremaneira na qualidade do jornal que lemos todos os dias: o Público tem hoje menos “rasgo” e imaginação, é muito mais previsível do que era há uns anos, investiga muito pouco para o tipo de jornal que é, o peso dos acontecimentos de agenda aumentou consideravelmente, o caderno local do Porto está pelas ruas da amargura e até a fotografia e a infografia, outrora pujantes, se encontram em declínio.

Algumas mudanças recentes foram no bom sentido. A edição de domingo melhorou em termos de profundidade e a revista de economia aproximou-se, bem, dos bolsos do cidadão comum.

Mas, a par disso, foram tomadas decisões muito discutíveis, como a de acabar com o suplemento Computadores. Não devia ter acabado. Devia, antes, ter sido reforçado.

O país não ganha nada em ter uma imprensa diária de referência (a saúde financeira e jornalística do DN também está no estado em que está) no fio da navalha. O jornalismo, cujos constrangimentos são cada vez mais fortes, também não.

Esperemos que, nos próximos tempos, Belmiro de Azevedo alargue as suas vistas.

A ler:
José Manuel Fernandes quer “refundar” jornal

Travessias na memória:
Perda de Público
A Web social no Público

A Web social no Público

Após o fim do suplemento Computadores, a informação sobre a Internet tornou-se bem mais escassa no Público. Agora, só de vez em quando podemos ler destaques como o que abre a edição de hoje, sobre as novas relações sociais que a rede está a criar.

O conjunto de textos merece uma leitura atenta e pode ser lido, gratuitamente, no Publico.pt:

Geração MySpace companhia ilimitada
O boom da dot-com, versão 2.0

Perda de Público

O Público está, de novo, a passar um mau bocado. O prejuízo acumulado das perdas nos primeiros nove meses do corrente ano supera já os 3 milhões de euros.


Problemas do momento: a “mina” que são (foram?) os produtos associados ao jornal (livros, cd, dvd) saturou os leitores-consumidores e as vendas de publicidade caíram.


A Sonaecom escreve entretanto em comunicado que «o Público tem vindo a centrar a sua estratégia no alargamento do seu mercado alvo, de forma a direccionar-se a outros leitores».


Talvez seja esta estratégia a explicar a sensação que temos de que o futebol tem hoje mais visibilidade na primeira página enquanto as páginas da secção de Cultura parecem um pouco mais, por assim dizer, comprimidas.

A ler:
Público com prejuízos de 1,5 milhões de euros

Um moblog solar

O Público.pt lá deu mais um passinho para se distanciar dos seus principais concorrentes na Web. A ideia de criar um moblog para o eclipse solar parece ter resultado em cheio: os leitores contribuíram com quase 200 fotos, algumas enviadas a partir de telemóveis.

Tem razão António Granado quando escreve que «este tipo de iniciativas tem um enorme potencial ainda não explorado pelos jornais portugueses». Ou não fossem os melhores jornais online feitos em estreita interactividade com os seus leitores.

Público.pt: dez anos

O Público assinala hoje o 10º aniversário da sua edição electrónica. Está, pois, de parabéns.

Ao longo dos anos, e apesar das muitas dificuldades financeiras que o projecto conheceu, o Público.pt lá se foi mantendo, com avanços e recuos, mas sempre com um mínimo de dignidade e coerência. Dos seus concorrentes mais directos na Web, o DN e o JN, não se pode dizer o mesmo.

Em 1999, o Público.pt deu um salto importante, ao introduzir o serviço Última Hora, dando corpo a uma das principais exigências do ciberjornalismo: a imetiatez. Longe ainda dos padrões de diários como El País (para não irmos mais longe), ainda assim tem cumprido.

Outra marca distintiva, e muito positiva, foi a decisão de nomear um director próprio para o Público.pt., José Vítor Malheiros, que esteve também na origem do projecto.

O Público.pt tem, por isso, potencial para crescer e melhorar, pois há muito a fazer, em particular nos capítulos da interactividade, da hipertextualidade, da multimedialidade e mesmo da navegabilidade. O texto tem de ser equilibrado com material multimédia, de modo a aproximar este jornal de um verdadeiro medium noticioso da Web.

Ainda assim, dez anos passados, o Público.pt mantém-se um pequeno oásis no panorama deprimente e amador do ciberjornalismo português.

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