Arquivos para a Categoria ‘media’

Conteúdos pagos: fim à vista?

Um dos maiores calcanhares de Aquiles dos ciberjornais continua a ser o do financiamento. Em Portugal, o subfinanciamento ajuda a explicar, em boa parte, o estado meio vegetativo dos media noticiosos online.

Neste contexto, cobrar pelo acesso a conteúdos sempre foi um tema controverso. Pois bem, mais controvérsia vem a caminho.

O New York Times pode estar prestes a tornar grátis o seu serviço “premium” TimesSelect. E correm rumores de que Murdoch, o magnata dos media que comprou o Wall Street Journal, se prepara para tornar completamente gratuito o acesso ao WST.com.

A questão regressa em força: faz sentido cobrar pelo acesso às notícias num meio “sobreinformado” como a Web?

Steve Yelvington, referindo-se ao panorama da imprensa nos EUA, acha que não: «In the old world, where information was scarce, connectivity was scarce, and entertainment was limited, newspapers could charge for content. But for years the content pricing has eroded to nothing (25 cents for a newspaper … get real), and newspaper pricing today is essentially about recouping some home delivery costs. Applying that model to the Web never made sense.»

E Scott Karp, também citado por Jonathan Dube no Cyberjournalist.net, acrescenta: «The new economics of media make charging for content nearly impossible because there is always someone else producing similar content for free — even if the free content isn’t “as good as” the paid content by some meaningful metric, it doesn’t matter because there’s so much content of at least proximate quality that the paid content provider has virtually no pricing power. As smart, talented, and nsightful as the New York Times columnists behind the paid wall are, the are too many other smart, talented, insightful commentators publishing their thoughts on the web for free.»

Um tema a acompanhar com atenção. Até porque dele depende o futuro da qualidade do ciberjornalismo.

Uma parceria recomendável

O grupo de média Trinity Mirror e a Universidade de Teesside, Inglaterra, formaram uma parceria para o desenvolvimento de uma cadeira de jornalismo multimédia. A ideia é preparar jornalistas para o trabalho em ciberjornais.

O curso chama-se Multimedia Journalism Professional Practice e combina «jornalismo e multimédia com a exploração crítica do campo emergente do jornalismo convergente».

Eis um exemplo prático e altamente recomendável de cooperação entre os mundos empresarial e académico. À atenção das empresas jornalísticas portuguesas, em geral pouco atreitas a este tipo de parcerias, e não poucas vezes alérgicas a tudo o que cheire a formação profissional ou académica dos seus funcionários, jornalistas incluídos.

A ler:
Trinity Mirror forms partnership to devise multimedia journalism degree

Em quem confiar na Web?

Eles multiplicam-se a toda a hora: são os blogues, os sites de “jornalismo do cidadão”, os de jornalismo “hiperlocal” ou “microlocal”, os sites noticiosos publicados por todo o tipo de organizações que não empresas jornalísticas, etc..

Tudo isto é óptimo para a multiplicação de pontos de vista e para a diversificação de fontes. Mas, como assinala Steve Outing na sua última coluna na Editor & Publisher, esta sobreabundância tem o seu preço para os leitores: como saber em quem confiar? Como saber se a informação é correcta e equilibrada ou se está antes ao serviço de alguma “agenda” menos clara?

Para as empresas jornalísticas, isto também pode representar um problema, uma vez que cada vez mais acrescentam aos seus sites fontes ou vozes alternativas, como bloguistas convidados ou “cidadãos-jornalistas”.

Outing propõe, por isso, uma solução: as empresas jornalísticas deviam começar a fazer um “ranking” das fontes alternativas que publicam, de forma a ajudar os seus leitores a saberem melhor o que estão a ler.

Para começo, a ideia não é má. Veremos se, na prática, tem pernas para andar.

A ler:
It Ain’t Easy Knowing Who You Can You Trust

Boas novidades no chicagotribune.com

O Chicago Tribune, desde sempre na vanguarda do ciberjornalismo, redesenhou o seu site de modo a reforçar a cobertura contínua dos acontecimentos e a componente multimédia. As novidades passam por:

* actualização informativa 24 horas por dia, com monitorização permanente por parte de uma editoria criada para o efeito

* mais leitores de vídeo e câmaras colocadas pela cidade para captar imagens a usar em notícias locais

* galeria de fotos aumentada e optimizada. Os leitores são agora encorajados a enviar as suas fotos pessoais, que serão publicadas no chicagotribune.com

* mais de uma vintena de blogues oferece “comentário em tempo real”

* espaço para comentários para que os leitores possam classificar e discutir as notícias com outros leitores (uma clara assimilação de conceitos da web 2.0)

* opção de personalização “MyNews” para alertas de última hora, resumo das notícias da manhã e actualizações via telemóvel

* Um motor de busca melhorado para encontrar notícias num arquivo que recua até 1852, uma opção sempre muito valiosa em qualquer jornal, mas ainda mais em diários centenários. Se bem gerida, esta opção pode ser altamente rentável para o Chicago Tribune.

O chicagotribune.com tem agora um design como deve ser: limpo, simples, fácil de usar.

(dica de I Want Media)

Quanto mais informação, menos política

Quanto mais os norte-americanos têm acesso a fluxos ininterruptos de informação, mais se mostram alheados das questões políticas.

Este efeito paradoxal é objecto de análise num interessante artigo, publicado no Washington Post, por Markus Prior, professor de política na Princeton University’s Woodrow Wilson School.

O ponto de partida do professor e autor do livro Post-Broadcast Democracy: How Media Choice Increases Inequality in Political Involvement and Polarizes Elections é este:

«Greater access to media, ironically, has reduced the share of Americans who are politically informed. The most significant effect of more media choice is not the wider dissemination of political news but mounting inequality in political involvement. Some people follow news more closely than in the past, but many others avoid it altogether.»

(dica de Editors Weblog)

A relevância do jornalismo

«Em suma, há poucas dúvidas de que a convergência e os novos media desafiam as noções tradicionais de jornalismo de várias maneiras, mas ao mesmo tempo sublinham a relevância do jornalismo profissional num ambiente sobrecarregado de informação.»

Konstantinos Saltzis,
‘News production in the age of convergence: a study on the changing practices and role of journalists’, in revista Tripodos (extra 2007)

Telegraph de ponta II

Depois do slideshow, podemos agora ver o vídeo sobre a integração multimédia no Daily Telegraph. Foi produzido pelo Innovation International Media Consulting Group e apresentado no recente World Newspaper Congress, na Cidade do Cabo.

A palavra-chave aqui é integração:

Uma possível revolução dos média

Como estaremos em 2050 no que aos média diz respeito? A empresa italiana Casaleggio Associati decidiu, na esteira de trabalhos prospectivos como o Epic 2015, imaginar o futuro da “revolução dos média”. E, se um dia, a Google comprasse a Microsoft?

Vídeo com boa definição no Washington Post

Tom Kennedy, editor multimédia do Washington Post, explicou à Beet.tv o modo como o diário norte-americano tem vindo a trabalhar com o vídeo. Kennedy refere, entre outras coisas, que o Post trabalha há já dois anos apenas com vídeo de alta definição (HD) e que ainda há muito espaço para a experimentação desta “matéria-prima” em jornais.

Para a cobertura dos assuntos mais importantes do dia, o Post dispõe de seis “vídeo-jornalistas” que filmam, editam e funcionam como “produtores de campo”.

Vídeo em alta no World Editors Forum

O vídeo esteve em grande no 14º World Editors Forum, que ontem terminou, em Cape Town, África do Sul.

Cinco oradores, entre os quais Richard Sambrook, director da BBC Global News, falaram sobre as suas previsões, relativas a comunidade, audiências e jornalismo, para o próximo ano. Neste vídeo, onde já podemos ver algumas inovações que o You Tube introduziu na sua interface, ouvimos Rebecca MacKinnon, co-fundadora da Global Voices, defender que o papel dos jornalistas é cada vez mais importante:

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