Arquivos para a Categoria ‘jornais’

Em quem confiar na Web?

Eles multiplicam-se a toda a hora: são os blogues, os sites de “jornalismo do cidadão”, os de jornalismo “hiperlocal” ou “microlocal”, os sites noticiosos publicados por todo o tipo de organizações que não empresas jornalísticas, etc..

Tudo isto é óptimo para a multiplicação de pontos de vista e para a diversificação de fontes. Mas, como assinala Steve Outing na sua última coluna na Editor & Publisher, esta sobreabundância tem o seu preço para os leitores: como saber em quem confiar? Como saber se a informação é correcta e equilibrada ou se está antes ao serviço de alguma “agenda” menos clara?

Para as empresas jornalísticas, isto também pode representar um problema, uma vez que cada vez mais acrescentam aos seus sites fontes ou vozes alternativas, como bloguistas convidados ou “cidadãos-jornalistas”.

Outing propõe, por isso, uma solução: as empresas jornalísticas deviam começar a fazer um “ranking” das fontes alternativas que publicam, de forma a ajudar os seus leitores a saberem melhor o que estão a ler.

Para começo, a ideia não é má. Veremos se, na prática, tem pernas para andar.

A ler:
It Ain’t Easy Knowing Who You Can You Trust

Boas novidades no chicagotribune.com

O Chicago Tribune, desde sempre na vanguarda do ciberjornalismo, redesenhou o seu site de modo a reforçar a cobertura contínua dos acontecimentos e a componente multimédia. As novidades passam por:

* actualização informativa 24 horas por dia, com monitorização permanente por parte de uma editoria criada para o efeito

* mais leitores de vídeo e câmaras colocadas pela cidade para captar imagens a usar em notícias locais

* galeria de fotos aumentada e optimizada. Os leitores são agora encorajados a enviar as suas fotos pessoais, que serão publicadas no chicagotribune.com

* mais de uma vintena de blogues oferece “comentário em tempo real”

* espaço para comentários para que os leitores possam classificar e discutir as notícias com outros leitores (uma clara assimilação de conceitos da web 2.0)

* opção de personalização “MyNews” para alertas de última hora, resumo das notícias da manhã e actualizações via telemóvel

* Um motor de busca melhorado para encontrar notícias num arquivo que recua até 1852, uma opção sempre muito valiosa em qualquer jornal, mas ainda mais em diários centenários. Se bem gerida, esta opção pode ser altamente rentável para o Chicago Tribune.

O chicagotribune.com tem agora um design como deve ser: limpo, simples, fácil de usar.

(dica de I Want Media)

Telegraph de ponta II

Depois do slideshow, podemos agora ver o vídeo sobre a integração multimédia no Daily Telegraph. Foi produzido pelo Innovation International Media Consulting Group e apresentado no recente World Newspaper Congress, na Cidade do Cabo.

A palavra-chave aqui é integração:

Imprensa partilha vídeos

E o vídeo move-se nos pesos pesados da imprensa norte-americana. Primeiro foi o Wall Street Journal. Há dias, o Washington Post. Segue-se o New York Times. Todos eles estão a virar-se para a “fórmula YouTube” de partilha de vídeos.

A partilha de vídeos, como se sabe, explica em boa parte o sucesso do YouTube. A ideia destes jornais passa por aplicar esta fórmula a clips noticiosos. Para o efeito, aliam-se a novas empresas, como é o caso da Brightcove, para que estas tratem de tudo. O resultado é este, publicidade incluída:

Comunidade no ELPAIS.com

O ELPAIS.com abriu uma área para os leitores poderem criar os seus blogues. A ideia está longe de ser nova. Mas o interessante aqui é o modo como o ciberjornal apresenta o novo espaço, La Comunidad:

«La dirección de la página será: http://lacomunidad.elpais.com/nombre-del-blog y permitirá al internauta tener un lugar donde escribir, mostrar sus fotos, vídeos y audios. Los usuarios con página o blog en elpais.com podrán formar sus propias comunidades, abiertas a personas, grupos y asociaciones. El único límite está en escribir con respeto y no usurpar la identidad de otros.»

Vídeo com boa definição no Washington Post

Tom Kennedy, editor multimédia do Washington Post, explicou à Beet.tv o modo como o diário norte-americano tem vindo a trabalhar com o vídeo. Kennedy refere, entre outras coisas, que o Post trabalha há já dois anos apenas com vídeo de alta definição (HD) e que ainda há muito espaço para a experimentação desta “matéria-prima” em jornais.

Para a cobertura dos assuntos mais importantes do dia, o Post dispõe de seis “vídeo-jornalistas” que filmam, editam e funcionam como “produtores de campo”.

A globalização do jornalismo na Web

Para ler, na Journalism, um estudo transatlântico (EUA, Reino Unido) sobre sites noticiosos e os seus leitores internacionais. A globalização do jornalismo online foi o título escolhido por Neil Thurman, da City University, para este artigo:

«Some British news websites are attracting larger audiences than their American competitors in US regional and national markets. At the British news websites studied, Americans made up an average of 36 per cent of the total audience with up to another 39 per cent of readers from countries other than the USA. Visibility on portals like the Drudge Report and on indexes such as Google News brings considerable international traffic but is partly dependent on particular genres of story and fast publication times. Few news websites are willing to disclose breakdowns of their large numbers of international readers fearing a negative reaction from domestic advertisers. Some see little value in international readers — some of whom read 3 to 4 times fewer pages than their domestic counterparts. Others are actively selling advertising targeted at their international audience and even claiming their presence is beginning to change their news agenda.»

Pequeno passo na SIC Notícias

No jornal da meia-noite, a SIC Notícias resolveu dar visibilidade aos principais ciberjornais portugueses. Na rubrica final, em que mostra as primeiras páginas dos jornais do dia, percorre agora as “primeiras” online do Público, DN, JN, Correio da Manhã, Expresso, Visão, A Bola, etc..

É um pequeno, mas bom, sinal de que a visibilidade do ciberjornalismo está a aumentar. Em Portugal, o ciberjornalismo tem um lento e longo caminho a percorrer. Noutros países, mais desenvolvidos neste ramo do jornalismo, a velocidade é já próxima da de cruzeiro.

Ainda assim, pequenas iniciativas como a da SIC Notícias podem ajudar a dar um empurrão à nossa ainda muito débil ciberimprensa.

O segredo está nos leitores

Embora em Portugal pouco se note, temos, nos últimos meses, assistido a uma onda de redesenho de sites jornalísticos. São, por vezes, mudanças radicais e de risco, mas que valem a pena. Ainda há pouco, o Guardian Unlimited nos provou isso mesmo.

Nos Estados Unidos, USATODAY.com, latimes.com, e washingtonpost.com estão entre os que operaram mudanças. A E&P falou com editores destes ciberjornais e reteve uma ideia principal: o redesenho dos sites foi um processo contínuo em que as alterações foram sobretudo baseadas nas opiniões dadas pelos leitores. O processo resultou, portanto, de uma conversação, algo inédito no percurso daqueles diários.

Ora, aqui está algo que os responsáveis pela recente operação plástica no site da Lusa deveriam ter feito.

Pequena ficção sobre a Web

E, se um dia, a Web, sei lá, 8.0, nos entregasse o jornal em papel através do ecrã do nosso computador?

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