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Publicidade cresce na Net
Desta vez, a projecção, baseada num estudo, é de uma empresa de capital de risco, a Veronis Suhler Stevenson, que investe fundos no negócio dos média: o investimento publicitário na Internet vai crescer mais de 21 por cento ao ano até 2011, altura em que ultrapassará o que é feito na imprensa tradicional. Não é a primeira vez que este tipo de projecção aparece, variando apenas os números.
A tendência mais não fará que acompanhar as mudanças dos hábitos das pessoas na sua relação com os média: o estudo indica que, ainda este ano, o tempo gasto a ler online ultrapassará o tempo despendido a ler jornais de papel. Nas empresas, os funcionários passam cada vez mais tempo online.
Como refere John Burke, no Editors Weblog, isto tem toda a lógica: as pessoas passam cada vez menos tempo com os média tradicionais, virando-se antes para plataformas digitais, onde, em vez de lerem longos artigos de jornal ou verem longos programas de televisão, lêem pequenos artigos e vêem pequenos clips de vídeo.
Os hábitos estão, inegavelmente, a mudar. As empresas que investem em publicidade nos média é que, por vezes, demoram muito mais tempo a fazer o mesmo.
Conteúdos pagos: fim à vista?
Um dos maiores calcanhares de Aquiles dos ciberjornais continua a ser o do financiamento. Em Portugal, o subfinanciamento ajuda a explicar, em boa parte, o estado meio vegetativo dos media noticiosos online.
Neste contexto, cobrar pelo acesso a conteúdos sempre foi um tema controverso. Pois bem, mais controvérsia vem a caminho.
O New York Times pode estar prestes a tornar grátis o seu serviço “premium” TimesSelect. E correm rumores de que Murdoch, o magnata dos media que comprou o Wall Street Journal, se prepara para tornar completamente gratuito o acesso ao WST.com.
A questão regressa em força: faz sentido cobrar pelo acesso às notícias num meio “sobreinformado” como a Web?
Steve Yelvington, referindo-se ao panorama da imprensa nos EUA, acha que não: «In the old world, where information was scarce, connectivity was scarce, and entertainment was limited, newspapers could charge for content. But for years the content pricing has eroded to nothing (25 cents for a newspaper … get real), and newspaper pricing today is essentially about recouping some home delivery costs. Applying that model to the Web never made sense.»
E Scott Karp, também citado por Jonathan Dube no Cyberjournalist.net, acrescenta: «The new economics of media make charging for content nearly impossible because there is always someone else producing similar content for free — even if the free content isn’t “as good as” the paid content by some meaningful metric, it doesn’t matter because there’s so much content of at least proximate quality that the paid content provider has virtually no pricing power. As smart, talented, and nsightful as the New York Times columnists behind the paid wall are, the are too many other smart, talented, insightful commentators publishing their thoughts on the web for free.»
Um tema a acompanhar com atenção. Até porque dele depende o futuro da qualidade do ciberjornalismo.
Guantánamo às escuras
Eis uma preocupação que qualquer democrata amante da liberdade de informação partilhará com Juan Antonio Giner:
«The Guantanamo news blackout continues. The New York Times is trying to cover this hot issue, but this is a hard job. Somebody has to find a way to tell us what’s going on there. And sooner, rather than later. Freedom of information is at stake in this corner of the U.S. military base in Cuba.»
A vez do New York Times
Nem os grandes, nem os pequenos, nem mesmo os maiores do mundo. Nenhum jornal parece estar a salvo de reduções de custos, diminuição de tamanho, cortes no pessoal.O New York Times anunciou, ontem, que vai reduzir o formato e acabar com 250 postos de trabalho, que equivalem a cerca de um terço da sua equipa de produção.
Como refere o Diário Económico, o Times justifica a decisão «afirmando que muitos outros diários de referência também reduziram, recentemente, o seu formato. E acrescenta que outros, nomeadamente o “Wall Street Journal”, planeiam mais cortes para reduzir os crescentes custos do papel e impressão, numa altura em que os diários estão a perder leitores e anunciantes a favor da internet.»
É nesta última frase que devemos concentrar a nossa atenção.
Boston Globe funde redacções
O jornal Boston Globe decidiu juntar as redacções tradicional e digital (a do Boston.com), que até aqui funcionavam cada uma para seu lado. Objectivo: maximizar as sinergias.
O funcionamento de ambas as redacções será coordenado por um editor geral. Será Martin Baron a decidir como serão editadas e apresentadas as notícias nas edições em papel e online.
O publisher Richard Gilman explica assim a decisão: “estamos numa nova fase de elevada competição contra fornecedores massivos de informação. Estamos a experimentar uma mais profunda interdependência entre imprensa, online e comunicações móveis. E lutamos diariamente para satisfazer complexas exigências das audiências. Para florescermos neste novo ambiente, precisamos de ter uma abordagem mais integrada.»
Eis, pois, uma opção que faz todo o sentido.
(dica de António Granado)
A ler:
Boston Globe Announces Integration of Boston.com Website
Notícias online primeiro
O diário britânico The Guardian, cuja versão online tem dado cartas e acumulado prémios, prepara-se para apostar numa interessante política de “notícias online primeiro”.
Isto significa que as principais estórias de correspondentes estrangeiros e de jornalistas de economia serão publicadas na edição Web antes de isso acontecer no papel.
A ideia é dar aos repórteres a oportunidade de produzirem notícias com maior fôlego e sem as limitações do jornal tradicional. No entanto, algumas estórias exclusivas serão guardadas para a versão de papel de forma a proteger o valor desta. O que se entende: há que acautelar, para utilizar uma expressão negroponteana, a “canibalização” dos átomos pelos bits.
Jornais e portais noticiosos
No 59º Congresso da Associação Mundial de Jornais, que termina hoje, em Moscovo, uma das discussões andou à volta de saber se os portais da Web são uma nova ameaça aos jornais.
O debate parece não ter sido conclusivo. A imprensa tradicional sente-se ameaçada e, de certa forma, posta em causa. Mas os responsáveis pelo Yahoo News ou o Google News dizem que não há razões para os “velhos” jornais se preocuparem. Confiam numa “relação de simbiose” entre ambas as partes.
O problema é que a imprensa tradicional tem mesmo boas razões para se preocupar. As empresas donas de portais como o Yahoo News e o Google News são jovens, atentas, super-dinâmicas, arrojadas, inventivas, flexíveis, motivadas, competitivas. Ou seja, são quase tudo aquilo que muitos jornais, definitivamente, não são. Ou deixaram de ser.
A ler:
Portais e imprensa, amigos ou inimigos?
Circulação e publicidade dos jornais regista subida
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