Arquivo de Agosto, 2007|Página de arquivo mensal
Publicidade cresce na Net
Desta vez, a projecção, baseada num estudo, é de uma empresa de capital de risco, a Veronis Suhler Stevenson, que investe fundos no negócio dos média: o investimento publicitário na Internet vai crescer mais de 21 por cento ao ano até 2011, altura em que ultrapassará o que é feito na imprensa tradicional. Não é a primeira vez que este tipo de projecção aparece, variando apenas os números.
A tendência mais não fará que acompanhar as mudanças dos hábitos das pessoas na sua relação com os média: o estudo indica que, ainda este ano, o tempo gasto a ler online ultrapassará o tempo despendido a ler jornais de papel. Nas empresas, os funcionários passam cada vez mais tempo online.
Como refere John Burke, no Editors Weblog, isto tem toda a lógica: as pessoas passam cada vez menos tempo com os média tradicionais, virando-se antes para plataformas digitais, onde, em vez de lerem longos artigos de jornal ou verem longos programas de televisão, lêem pequenos artigos e vêem pequenos clips de vídeo.
Os hábitos estão, inegavelmente, a mudar. As empresas que investem em publicidade nos média é que, por vezes, demoram muito mais tempo a fazer o mesmo.
Conteúdos pagos: fim à vista?
Um dos maiores calcanhares de Aquiles dos ciberjornais continua a ser o do financiamento. Em Portugal, o subfinanciamento ajuda a explicar, em boa parte, o estado meio vegetativo dos media noticiosos online.
Neste contexto, cobrar pelo acesso a conteúdos sempre foi um tema controverso. Pois bem, mais controvérsia vem a caminho.
O New York Times pode estar prestes a tornar grátis o seu serviço “premium” TimesSelect. E correm rumores de que Murdoch, o magnata dos media que comprou o Wall Street Journal, se prepara para tornar completamente gratuito o acesso ao WST.com.
A questão regressa em força: faz sentido cobrar pelo acesso às notícias num meio “sobreinformado” como a Web?
Steve Yelvington, referindo-se ao panorama da imprensa nos EUA, acha que não: «In the old world, where information was scarce, connectivity was scarce, and entertainment was limited, newspapers could charge for content. But for years the content pricing has eroded to nothing (25 cents for a newspaper … get real), and newspaper pricing today is essentially about recouping some home delivery costs. Applying that model to the Web never made sense.»
E Scott Karp, também citado por Jonathan Dube no Cyberjournalist.net, acrescenta: «The new economics of media make charging for content nearly impossible because there is always someone else producing similar content for free — even if the free content isn’t “as good as” the paid content by some meaningful metric, it doesn’t matter because there’s so much content of at least proximate quality that the paid content provider has virtually no pricing power. As smart, talented, and nsightful as the New York Times columnists behind the paid wall are, the are too many other smart, talented, insightful commentators publishing their thoughts on the web for free.»
Um tema a acompanhar com atenção. Até porque dele depende o futuro da qualidade do ciberjornalismo.
Uma parceria recomendável
O grupo de média Trinity Mirror e a Universidade de Teesside, Inglaterra, formaram uma parceria para o desenvolvimento de uma cadeira de jornalismo multimédia. A ideia é preparar jornalistas para o trabalho em ciberjornais.
O curso chama-se Multimedia Journalism Professional Practice e combina «jornalismo e multimédia com a exploração crítica do campo emergente do jornalismo convergente».
Eis um exemplo prático e altamente recomendável de cooperação entre os mundos empresarial e académico. À atenção das empresas jornalísticas portuguesas, em geral pouco atreitas a este tipo de parcerias, e não poucas vezes alérgicas a tudo o que cheire a formação profissional ou académica dos seus funcionários, jornalistas incluídos.
A ler:
Trinity Mirror forms partnership to devise multimedia journalism degree
Em quem confiar na Web?
Eles multiplicam-se a toda a hora: são os blogues, os sites de “jornalismo do cidadão”, os de jornalismo “hiperlocal” ou “microlocal”, os sites noticiosos publicados por todo o tipo de organizações que não empresas jornalísticas, etc..
Tudo isto é óptimo para a multiplicação de pontos de vista e para a diversificação de fontes. Mas, como assinala Steve Outing na sua última coluna na Editor & Publisher, esta sobreabundância tem o seu preço para os leitores: como saber em quem confiar? Como saber se a informação é correcta e equilibrada ou se está antes ao serviço de alguma “agenda” menos clara?
Para as empresas jornalísticas, isto também pode representar um problema, uma vez que cada vez mais acrescentam aos seus sites fontes ou vozes alternativas, como bloguistas convidados ou “cidadãos-jornalistas”.
Outing propõe, por isso, uma solução: as empresas jornalísticas deviam começar a fazer um “ranking” das fontes alternativas que publicam, de forma a ajudar os seus leitores a saberem melhor o que estão a ler.
Para começo, a ideia não é má. Veremos se, na prática, tem pernas para andar.
Deixe um Comentário