Arquivo de Janeiro, 2007|Página de arquivo mensal
‘Mediamorfose’ no Travessias
Quando se fala de música ou de cinema, por exemplo, aqueles sites de vídeo têm material fabuloso, recente ou antigo, que pura e simplesmente não “passa” nos nossos canais de televisão. Frank Zappa a gravar em estúdio em 1968? Um excerto do filme Caravaggio, de Derek Jarman? O trailer de Citizen Kane? A Laurie Anderson a contar uma das suas mirabolantes histórias? O Rufus a cantar uma música dos Beatles? O Antony ao vivo num programa de TV em dueto com Boy George? As CocoRosie ao vivo algures nos EUA? Foucault em amena cavaqueira filosófica com Chomsky?
Os canais de televisão tradicionais (generalistas e temáticos, sem excepção) deviam estar mais atentos ao que se está a passar em termos de “televisão” online. Para já, a reacção generalizada parece ser em tudo idêntica à que assistimos em 1995, 1996, quando a Internet começou a instalar-se: desprezo, menorização, desvalorização, etc.. Em geral, os média portugueses estranham muito e entranham pouco. E a muito custo.
Como serão as notícias em 2015?
Adeus Gutenberg
Tem muito que ler, e que ver, o mais recente volume de Nieman Reports. É sobre o impacto da Web e outras tecnologias no jornalismo. Título: Goodbye Gutenberg, que é como quem diz:
Vale ainda a pena ver a Newspaper Gallery, com fotos valiosas sobre a imprensa que atravessam todo o século XX.
Magnum: fotografia multimédia
A fotografia já não é o que era. Passou do rolo, dos líquidos à temperatura certa, da sala escura de luz vermelha, do encanto de ver a imagem surgir devagar no papel brilhante e molhado, para a flexibilidade asséptica e total dos bits.
Jornalismo: o emprego que se segue
Aos meus alunos, e não só, recomendo vivamente a leitura do post Getting (and keeping) a job in journalism.
Multimédia na Renascença
As notícias sobre ciberjornalismo nos média nacionais são de tal modo escassas que é de celebrar quando uma consegue ver a luz do dia. É o caso desta: o site da Rádio Renascença começou a apostar no vídeo.
Ainda para mais quando os ciberjornais portugueses revelam uma enorme dificuldade em sair das suas “matérias-primas” originais (texto nos jornais, som na rádio, vídeo nas televisões) para se multimedializarem.
Dizer que fazer isto fica muito caro ou exige enormes “recursos humanos” é falso e apenas mascara a falta de visão e arrojo por parte das empresas jornalísticas. Há pequenos passos que se podem dar com câmaras de vídeo de 500 euros (a Renascença fá-lo, como explica hoje ao Público o chefe de redacção Pedro Leal) ou até usando software fácil e barato para produzir, por exemplo, slideshows de áudio.
Veja-se o caso do Soundslides. Com esta ferramenta, feita sobretudo para jornalistas, fica quase de borla fazer pequenos brilharetes como este.
Debate "tonto" está para durar
Até aqui, de acordo. Mas, logo a seguir, Niles abre a caixa de Pandora de novo, atirando com uma frase que dá pano para mangas de resmas de debate: «Jornalismo é jornalismo, não importa quem o faz, ou onde.» Vai uma aposta que não é bem assim?
A ler (e debater):
The silliest, and most destructive, debate in journalism
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