Arquivo de Outubro, 2005|Página de arquivo mensal

PRISMA.COM: uma nova revista académica

Acaba de nascer a revista académica PRISMA.COM. Trata-se de uma publicação online dedicada à investigação na intersecção da comunicação, informação, tecnologia e artes. É propriedade da unidade de investigação CETAC.COM (Centro de Estudos em Tecnologias, Artes e Ciências da Comunicação), da Universidade do Porto.Conforme se pode ler na ‘Política Editorial’ da nova revista, aqui são publicados artigos de natureza teórica, ensaística ou de comentário e reflexão, bem como trabalhos monográficos nos domínios das ciências, artes e tecnologias da comunicação e da informação.

Trabalhos de natureza empírica, recensões críticas da literatura própria destes domínios, noticiário sobre actividades em curso ou a desenvolver, bem como entrevistas e outros materiais de carácter informativo e de divulgação nestas áreas do conhecimento, têm também o seu espaço.

Proulx e a comunicação

O canadiano Serge Proulx, sociólogo e professor de comunicação, esteve esta semana em Lisboa para falar de cibernética. Em entrevistas ao DN (Segunda-feira passada) e ao Público (hoje), o co-autor de A Explosão da Comunicação deixou alguns tópicos interessantes. Por exemplo:

«Na nossa sociedade há uma sobrecarga de informação e isso não se traduz automaticamente num crescimento da comunicação». Proulx defende uma refudação da educação para enfrentar a overdose informacional.
«Estamos numa sociedade onde a comunicação é uma preocupação permanente, mas isso não quer dizer que comunicamos mais, no sentido da troca simbólica».

«O problema da comunicação é omnipresente. Tudo, hoje em dia, é comunicação, do comércio à política. Quanto ao desenvolvimento de uma ciência da comunicação, ainda não atingimos a maturidade. Estamos no balbuciar de uma ciência da comunicação».

«Alguém conseguir ser eleito é cada vez mais uma questão de comunicação».

«Até 1995, o primeiro grande período da Internet, houve a expansão de uma cultura da liberdade. A partir daí, entramos na fase do mercado. Ainda estamos perante uma tensão entre dois pólos.»

A ler:
Informação a mais obriga à refundação da educação

Perda de Público

O Público está, de novo, a passar um mau bocado. O prejuízo acumulado das perdas nos primeiros nove meses do corrente ano supera já os 3 milhões de euros.


Problemas do momento: a “mina” que são (foram?) os produtos associados ao jornal (livros, cd, dvd) saturou os leitores-consumidores e as vendas de publicidade caíram.


A Sonaecom escreve entretanto em comunicado que «o Público tem vindo a centrar a sua estratégia no alargamento do seu mercado alvo, de forma a direccionar-se a outros leitores».


Talvez seja esta estratégia a explicar a sensação que temos de que o futebol tem hoje mais visibilidade na primeira página enquanto as páginas da secção de Cultura parecem um pouco mais, por assim dizer, comprimidas.

A ler:
Público com prejuízos de 1,5 milhões de euros

Previsões de Gates

Bill Gates, o patrão da Microsoft, exagera, como exagerou em previsões anteriores na matéria, quando diz: «Em cinco anos, cerca de 40% a 50% dos leitores vai consultar os jornais na Internet».


Tem razão quando refere que «deve ser a imprensa escrita a dar o salto para o online, cuidando da qualidade das suas edições na Internet».


Acerta no óbvio ao sublinhar que «o formato electrónico está mais adaptado para jornais, enciclopédias, manuais escolares e documentários, do que propriamente para livros, como os romances».

A ler:
Bill Gates prevê que 50% dos leitores recorra aos jornais online

Global Notícias "arruma a casa"

Ali para os lados da Global Notícias, o tempo está mau. Segundo o Público, a Grande Reportagem fecha em Dezembro, mas o seu director, Joaquim Vieira, já está de malas aviadas. Porquê tanta pressa? O DNA, suplemento cultural do DN (sextas-feiras), está a ser reavaliado. Um dos cenários é também o fecho.

Os novos patrões da Global Notícias parecem estar determinados a “arrumar a casa”. Começaram, lestos, por despachar a direcção do DN, com Miguel Coutinho à cabeça. Veremos os despachos que se seguem. Será uma boa oportunidade para aquilatar para que lado pende a balança de Oliveira: respeito pela “cultura” jornalística ou mera gestão de mercearia?

Expresso multimédia

O Expresso Online começa a dar pequenos passos, pequenos mas positivos, em direcção ao multimédia.

Dois exemplos recentes: um pequeno vídeo com a apresentação da candidatura presidencial de Cavaco Silva, com edição multimédia de Luiz Carvalho e webdesign de Inês Bravo, e uma entrevista com David Fonseca, em texto, pergunta-resposta, com a opção de ouvir excertos de áudio com músicas do cantor.

Se se tratar de um início de tendência a aprofundar e expandir, é muito bem-vindo.

Elementos do Jornalismo

O livro Os Elementos do Jornalismo é apresentado no 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, que hoje teve início, na Universidade de Aveiro.
Pelo tema proposto, pelos autores, e pelos responsáveis pela colecção em causa, é de crer que se trate de mais um livro incontornável nesta área. No blogue Jornalismo e Comunicação, Manuel Pinto faz uma breve apresentação da obra.

De leituras

«A Internet e as suas aplicações, como a World Wide Web, não gozaram da liberdade de outros, mais antigos, media. A rádio e a televisão foram ambos revolucionários no seu tempo. Mas foi-lhes permitido experimentar as suas dores de crescimento longe do brilho da intensa expectativa a uma escala global. Também não tiveram de lidar com esse monstro voraz, a maquinaria de marketing do capitalismo de finais do século XX.» Mike Ward, em Journalism Online.

Jornais online conquistam leitores

São pequenos sinais, mas nem por isso devem ser desvalorizados. Segundo a empresa de audimetria Marktest, em Setembro, 759 mil portugueses acederam a sites de jornais, revistas ou de notícias portugueses, um número que representa mais de metade (56.3%) dos utilizadores de Internet no país. O total de páginas visitadas foi 19.3% superior face a Agosto e 2,5% superior face a Setembro do ano passado.

Os portugueses estão, pois, a ler cada vez mais notícias na Net, o que só deve encorajar as empresas jornalísticas a estarem atentas de modo a tirarem proveito de uma tendência que se adivinha crescente.

Quanto mais audiência os jornais online tiverem, melhores condições terão de captar publicidade, que, por sua vez, poderá financiar a melhoria da qualidade dos nossos depauperados media digitais. Por enquanto, o caminho em direcção à excelência é muito estreito e bastante difícil.

Expresso renova

O Expresso estava, de facto, a precisar de um refrescamento na sua direcção. José António Saraiva é, como acontece quase sempre nestes casos, em que um título deve muitos dos seus anos de expansão a um director, arrumado simpaticamente numa prateleira dourada.

Com o tempo, ver-se-á se Henrique Monteiro foi uma boa escolha de Balsemão para dirigir o semanário ou se teria sido preferível ir buscar alguém “de fora”, com maior margem de manobra e frescura para sacudir a poeira instalada.

Entretanto, a notícia do eventual aparecimento de um novo semanário, do Grupo Cofina, para concorrer com o Expresso, é motivo de regozijo. O panorama do jornalismo escrito e o mercado de trabalho respectivo estão a precisar de novos projectos como de pão para a boca…

A ler:
José António Saraiva deixa o ‘Expresso’

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