Arquivo de Julho, 2005|Página de arquivo mensal
Asfixia mediática
É absolutamente escandaloso que o Porto não tenha estaleca sequer para segurar um canal próprio de televisão. A NTV foi o que se viu. Na rádio, anos antes, foi a vez de a Rádio Nova, que chegou a ser um farol de qualidade, ser transformada em mais uma juke box inconsequente, com meninas de voz melada a gerir play lists…
Na imprensa, o próprio Jornal de Notícias, o porta-aviões do Norte, já foi mais da Invicta do que é hoje. O Primeiro de Janeiro pouco se vê. As delegações das revistas e dos jornais de Lisboa, ou são simbólicas, ou foram alvo de desinvestimento, sobretudo editorial, nos últimos anos (Correio da Manhã e Diário de Notícias, por exemplo). O 24 Horas é para esquecer. E O Comércio do Porto acaba mal, às mãos de um grupo espanhol que se está nas tintas para 150 anos de história.
Resultado: a diversidade e a pluralidade (de notícias, de debates, de protagonistas, de ideias) vêem-se reduzidas e o mercado de emprego, bem como o de estágios, torna-se cada vez mais afunilado. O espaço público da região fica ainda mais pobre.
De um ponto de vista mediático, o Porto é hoje uma paróquia.
A ler:
O cemitério, de Vicente Jorge Silva
Sentença de Morte, de Manuel Pinto
Blogue OComerciodoPorto
Teleinternet
A ‘videoblogosfera’
A onda dos videoblogues começa a ganhar dimensão e parece ter um potencial altamente promissor. O conceito do vlogue é muito simples: em vez de posts de texto, o videobloguista exibe excertos de vídeo.Na videoblogosfera (chamemos-lhe provisoriamente assim), tal como na blogosfera, vê-se muita criação individual que jamais passaria nos media audiovisuais tradicionais. Os vlogues, diz um analista citado na artigo da Wired, transformar-se-ão num complemento ao broadcasting tradicional.
Tendo em conta a experiência criativa e proveitosa dos blogues, não será difícil antever a explosão imaginativa que se adivinha à medida que a videoblogosfera se for expandindo e diversificando. O aperfeiçoamento do hardware e do software necessários aos vlogues tratarão, certamente, de facilitar a afirmação de novos talentos nesta área. Tal como aconteceu com os diários pessoais de papel, os vídeos caseiros passarão a ter um outro alcance, uma outra formatação, com a passagem para a Web.
A narrativa audiovisual, de muitas maneira balizada, por exemplo, nos canais de TV (que são media simultaneamente controlados e controláveis), ver-se-á liberta de quase todas as grilhetas. Os posts de vídeo serão o que os vloguistas quiserem, da forma que bem entenderem. Para o bem e para o mal, como nos ensina a história da Internet.
Vídeo no papel
Cada bloco dura um minuto e meio e é actualizado quatro vezes por dia, embora, em casos especiais, a actualização possa ser feita mais frequentemente, como escreve Jemina Kiss, no journalism.co.uk.
Ora aqui está um exemplo a seguir por muitos outros jornais por esse mundo fora, com os de referência a terem aqui obrigações especiais. Um jornal online não pode, não deve, ser um mero repositório de conteúdos produzidos para o papel. O seu espaço de publicação é a Web, um meio multimédia, ou melhor, hipermédia, por natureza e excelência. Esta é uma certeza que, apesar de “histórica”, permanece ainda ignorada por uma parte substancial do ciberjornalismo mundial.
É por isso que muitos sites noticiosos ainda são uma grande seca.
No olho do furacão
Londres e os media online portugueses
dn.pt: para o DN, não se passa nada. Abre-se o site, clica-se em “Última hora” e… nada. Londres bem podia estar a arder…
JN: nas “Últimas”, tem três notícias curtas sobre o assunto, a primeira das quais colocada às… 12.12h. E nada mais.
TSF: Pela primeira vez, e naturalmente, som na Web. Da rádio, está claro. Quanto ao mais, estilo agência noticiosa.
SIC Online: Um infográfico! E depois muita Lusa, Reuters e France Press. Nem uns 15 segundos de vídeo que podia ser aproveitado dos canais de televisão do grupo. Fraquíssimo.
Unilateralismo na rede
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